sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Saudade dos tempos de criança, onde não se tinha hora...
O tempo era nosso maior aliado (bem diferente dos tempos de hoje).
24h não são suficientes pra que nosso dia termine completo, sempre ficam coisas pro dia seguinte...
Saudade dos tempos de pipoca caramelada sem pensar que a balança vai ser modificada...rsrsrsr
De brincadeiras que outrora nos fizeram sorrir com o coração e sem medo de ser machucada ou machucar alguém (principalmente a primeira opção).

O futuro está chegando a cada hora ou fração de segundo que passa e quanto mais ele passa, mas saudade eu sinto.Vontade de voltar ao passado e acreditar que a fada do dente existe ou até mesmo que Papai Noel vai chegar cheio de presentes e surpresas e a noite de Natal é mágica, assim como todas as noites estreladas.

É importante que não esqueçamos que a criança que esta dentro da gente não morra,mas diante dos dias loucos de hoje isso se torna uma tarefa muito árdua.
Ela pode até não morrer, mas fica adormecida em vários desses momentos do nosso dia...até que alguém venha acorda-la.

Falar nisso...meu despertador já está tocando...rsrsrsrs
Hoje tem noite estrelada, coração tranquilo e cheio de alegria.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Os Ombros Suportam o Mundo


Carlos Drummond de Andrade


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


Os versos acima foram publicados originalmente no livro "
Sentimento do Mundo", Irmãos Pongetti - Rio de Janeiro, 1940. Foram extraídos do livro "Nova Reunião", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1985, pág. 78.